O terrorismo como justificativa imperialista

Em determinado momento histórico, para justificar sua sede imperialista, os Estados Unidos criaram a Guerra ao Terror. Ao se apropriar do termo “terrorista”, construíram a narrativa de que, como supostos delegados do planeta, teriam a responsabilidade de combater esse inimigo. Aos poucos, porém, foram adaptando a definição de terrorismo de forma conveniente — e, ironicamente, ela sempre passou a incluir justamente os países de interesse econômico para os EUA. Assim, concederam a si mesmos um salvo-conduto para invadir onde bem entendessem.

Essa falsa moralidade serve ao imperialismo como um lastro ético para invasões profundamente imorais. Os conflitos no Oriente Médio, por exemplo, demonstram a elasticidade desse conceito: se o ato parte do país A ou B, é terrorismo; se vem do país X ou Y, torna-se apenas um “ataque” ou um crime alheio, que não lhes diz respeito.

Agora, em mais um ato de manipulação — enquanto o mundo testa o paradoxo da tolerância de Popper —, os EUA decidiram classificar o tráfico de drogas como terrorismo. Com isso, garantem uma justificativa automática para intervir em qualquer nação, já que todos os países, em maior ou menor grau, lidam com o tráfico de substâncias ilícitas (ou até mesmo lícitas, dependendo do contexto). É mais um passo na estratégia do intolerante que, sob o disfarce da ordem, silencia o tolerante que o acolhe.

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