Futebol segue rendendo cronicas e paixões ! Mas e o esporte?

Passei muito tempo sem acompanhar futebol e resolvi dar uma olhada na Copa. O que mais me impressiona é como os comentaristas seguem criando as mesmas lendas de sempre.
Brasil enfrenta Marrocos. Olhei o ranking da FIFA: Brasil em 6º, Marrocos em 7º. (como eh movel quuando vi novamente estavam em 5 Brasil e 6 Marrocos). Ranking pra você dar uma olhada e se assustar... Ou seja, times parelhos no momento. História de camisa hoje em dia pesa pouco, ainda mais em Copa. Um empate era um resultado bem provável. Mas, segundo os comentaristas, era o fim do mundo. Ok, eu não entendo de futebol tanto quanto eles, então devem estar certos… Eu assisti ao jogo e me pareceu um clássico truncado: um time fechando espaços, outro com dificuldade para criar. Já vi isso dezenas de vezes.
No jogo seguinte, contra o Haiti (87º no ranking), a diferença técnica era óbvia. E o Haiti, por qualquer razão, deu muito espaço no primeiro tempo. A superioridade se fez presente e o Brasil jogou bem. No segundo tempo, quando o Haiti encurtou os espaços e congestionou o meio, o Brasil voltou a ter dificuldade — exatamente como contra o Marrocos. Ou seja, vi o mesmo time: contra um adversário parecido, 1x1; contra um muito inferior, 3x0. Nada de revolucionário.
É aí que o viés de confirmação entra em ação a todo vapor. Tudo de bom que o Brasil fez não foi porque o adversário era muito mais fraco, foi porque “o Brasil estava no espírito”. Que lástima. Não há análise real, só falas histriônicas para agitar a torcida, ganhar like e audiência.
O que eu vi de fato? Um time limitado. Contudo no futebol, superioridade técnica nem sempre se traduz em vitória ou título. Às vezes um time mediano “tem sorte”, a bola entra, o adversário desperdiça… Quem viu o primeiro tempo da França sabe que o jogo poderia ter terminado 3x0 para o adversário. Espanha também já parou em times muito inferiores. Num mata-mata, qualquer coisa pode acontecer.
Quando as coisas começam a dar errado, o nervosismo toma conta, o obvio vira inimigo e tudo pode ir por água abaixo.
Ainda assim, o Brasil tem chances. Além da técnica e da tática, existe o fator psicológico. E na Seleção, a mítica camisa canarinho ainda pesa para o jogador brasileiro e isso pode fazer tirar algo a mais. Tem um peso emocional que pode, também, fazer diferença.
Sobre o Neymar: deixando de lado a pessoa (o que acho mediana, ele tem tendências narcisistas compreensíveis para quem subiu tão cedo e se sentiu dono do mundo), sua visão política me deixa ressabiado. Ele se alia não à direita ou aos liberais, mas à extrema-direita — para quem pessoas como eu, como marxista, simplesmente não deveria existir. Isso me incomoda.
Mas, no campo, ele é um craque diferenciado. Não digo isso por gosto pessoal, mas pelos números, pelos valores que movimenta e pela qualidade absurda que já mostrou. Se dentro da cabeça dele algo clicar, se ele encontrar motivação (para um bilionário não deve ser fácil), ele pode decidir um jogo ou uma Copa sozinho. Talvez falte só isso: uma motivação interna que preencha algum vazio. Triste, né? No dia da conquista ele vai vibrar, gritar, comemorar… mas no final da noite vai continuar sozinho com o que quer que seja que o habita.
Enfim, o futebol segue sendo isso: um esporte movido a emoção e exageros, com pouca análise de verdade. Vejo torcedores vociferando sem parar pra pensar — isso é normal. O problema é quando os comentaristas alimentam essa histeria em vez de ajudar a entender o jogo.
É um esporte maravilhoso, onde o pior pode bater o melhor. Merecia ser tratado com um pouco mais de seriedade, não pelos torcedores, mas pelos profissionais que tiram disso seu sustento, e deveriam ser mais respeitosos com ele. Dito isso, sigo torcendo para o Brasil ser campeão. Se não for, torço para a Argentina (Afinal somos todos Latinos Americanos). Se não for, torço para qualquer país que foi saqueado conseguir dar um “estrago” num imperialista. Porque continuo comunista.


