Vitimismo de reaças é apenas estrategia de retórica.

Imagina que você está chegando numa ilha com poucos habitantes e regras rígidas de convivência. Imagina que uma das regras é não fazer barulho entre 22h e 7h para que todos tenham uma noite de sono revigorante. Isso é dito a você assim que chega, como uma cláusula pétrea da ilha.
Agora, imagina que você vai para essa ilha com uma caixa de som JBL de 1000W. Chegando lá, você prepara tudo e a liga às 23h no volume máximo. A população, então, acorda, vai até você, desliga o som e avisa que você será expulso da ilha no dia seguinte, ao acordarem.
Antes de ser expulso, você tem direito a falar sobre o processo de expulsão. E você diz que foi perseguição, que as pessoas só te expulsaram porque você é você, que não te respeitam e que estão tolhendo sua "liberdade de importunação".
Então, esse é o modo da extrema-direita e/ou do fascismo: eles sabem das leis, de todas as regras, conhecem as consequências de violá-las, mas sempre as violam. E, quando sofrem as consequências, dizem que são vítimas... E o pior: as pessoas simplesmente acreditam, não porque faça sentido, mas por pura ideologia.
Mas a pior faceta da extrema-direita e/ou do fascismo é que a justiça, a imprensa e a democracia foram desenhadas por grupos muito próximos a essa ideologia — os liberais e neoliberais. Tudo é feito para que as falas dos fascistas não só não sejam punidas, como também atinjam um número imenso de pessoas. Veja o caso de Nicolas Ferreira, que fez um vídeo de interesse exclusivo de brasileiros e teve alcance muito maior que o número de habitantes do Brasil. Claro que foi impulsionado pela afinidade ideológica entre a extrema-direita e o neoliberalismo dos donos das redes sociais.
Temos que ter total convicção na luta — não para achar que ela é impossível, mas para entender como nos posicionarmos. E para saber que, sem tomar as ruas, não há condições de luta, quem dirá de vitória.
O que você pensa sobre isso?
Escreva só para mim. Ninguém mais lê o que você disser — eu respondo em privado, e se a conversa me fizer pensar, ela pode virar um novo texto.


