A Unidade na Luta: Reflexões sobre o "Nós" Proletário

Quando dizemos "venceremos", precisamos perguntar: quem somos nós? E esse "nós" não se limita aos acadêmicos, aos que dominam as normas da ABNT, aos que escreveram livros ou ostentam títulos. O "venceremos" só faz sentido se incluir toda a massa proletária – sem exceção. Quando fragmentamos a luta em identidades políticas estreitas – marxistas contra anarquistas, petistas contra psolistas, trotskistas contra stalinistas –, perdemos de vista o essencial: somos a mesma classe explorada, mesmo que diversa em suas expressões.

Sim, somos fragmentados. É inevitável em um grupo tão vasto. Mas estamos do mesmo lado – e essa consciência é a primeira batalha a ser vencida. Enquanto discutimos qual vertente da esquerda tem a análise mais correta, há gente morrendo de fome, sendo perseguida por sua identidade, perdendo o mínimo para viver com dignidade. Isso não pode esperar.

NB.: Uma coisa importante a ressaltar, é que a direita não é integra, ela é muito fragmentada, porem, as estruturas estão todas prontas e foram criadas a base de sangue lutas e guerras, mas estão lá, e mesmo sendo caóticas, eles seguem a cartilha una, eles seguem o modo de agir ditado pela ideologia dominante, isso faz parecer que são orquestrados, mas seguem caóticos, e desordenados, mas cada núcleo segue a mesma cartilha ditada, aprendida e absorvida ao longo de mais de 3 séculos ! Esta duração criou uma aparente unidade, pois todos nós pensamos assim sejam liberais, de direita, extrema direita ou ainda progressistas, sejam radicais como os comunistas e anarquistas ou mais moderados como os de esquerda não revolucionaria.

Não se trata de abandonar as lutas específicas – todas são válidas. Mas há uma hierarquia da urgência: enquanto o debate interno se perde em picuinhas sectárias, o fascismo avança, o capital precariza vidas, e a direita consolida seu projeto de extermínio. É triste ver que, às vezes, a reação de um comunista ao ouvir "sou do PSTU" é tão visceral quanto a de um bolsonarista ao ouvir "sou comunista". Onde está a disputa de ideias? O que vejo, muitas vezes, é só ego disfarçado de política – uma competição por quem "sempre esteve certo", como se a esquerda fosse uma coleção de seitas, e não um movimento pela emancipação coletiva.

Irmãos, fiquem atentos: Uma lição que carrego comigo vem do Átila Iamarino (embora minha interpretação seja livre): Para saber se "eu" estou no caminho certo, me pergunto: "Que tipo de evidência faria eu abandonar essa ideia?" Se a resposta for "nenhuma", estamos falando de dogma, não de política. Se, por outro lado, há espaço para o questionamento (uma auto "falseabilidade"), então sigo confiante – porque estou guiado pela razão e pelo método mais funcional para nutrir o conhecimento, não pela fé cega.

A união não significa apagar diferenças, mas reconhecer que, antes de qualquer divergência, há um inimigo comum. E ele não está só nas elites: está dentro de nós, toda vez que priorizamos o orgulho sectário em vez da vida concreta dos trabalhadores. Enquanto discutimos quem tem a teoria mais pura, o capital ri – e continua moendo gente.

Que possamos olhar para o espelho e perguntar: Estamos lutando para vencer, ou apenas para ter razão?

O que achou?

O que você pensa sobre isso?

Escreva só para mim. Ninguém mais lê o que você disser — eu respondo em privado, e se a conversa me fizer pensar, ela pode virar um novo texto.

Textos com as mesmas tags

Punir Vigiar => Controlar... Sera que eh a unica saida?

https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2025/10/19/torres-de-vigilancia-em-predios-monitoram-todos-mas-levantam-duvidas-sobre-uso-dos-dados-e-eficacia-contra-o-crime.ghtml Vigiar e punir sempre gravita em torno de nossas vidas, não como uma escolha, mas como uma consequência de uma sociedade acuada, que enxerga a vigilância e a opressão como um…