A Flexibilização Perigosa dos Conceitos Fundamentais

Alguns conceitos se tornaram meramente ferramentas de propaganda em certos países. A função básica de um conceito — agrupar elementos comuns ou classificar para compreender — perdeu-se quando a propaganda superou completamente a função de informação e passou para a de convencimento.
Democracia, liberdade e terrorismo são exemplos de conceitos tão maleáveis quanto se deseje, podendo ser moldados para confirmar o sucesso de uma ideologia sobre outra, baseados apenas no viés de confirmação.
Libertade não é o oposto, em princípio, de regras de convivência. Democracia não é uma utopia elástica; ela possui regras claras, e deixar de ser uma democracia não implica necessariamente em uma tirania. Terrorismo não é quando um opositor causa a morte de alguém ou luta por algo que considera justo.
Essa flexibilização causa problemas na classificação, mas o pior de tudo é que quem detém a máquina de propaganda mais global pode impor sua própria forma de análise do mundo sobre os demais.
Não é ato que o comunismo, desde os anos 1920, seja algo ruim que mata e escraviza. Não é ato que os países que sofrem sanções e são cerceados em sua indústria sejam a prova cabal de que o comunismo não funciona. Não é ato que se apliquem regras de um grupo ideológico para julgar outros que não compartilham da mesma evolução cultural ou viveram em ambientes completamente diferentes.
A cultura é outro desses conceitos elásticos que serve apenas para universalizar a ignorância e a dominação ativa, ao invés de promover análises objetivas do diverso.


