O "conceito" como salvo conduto pra o crime...

Cena 1: A Venezuela e a disputa de narrativas

A atenção global se volta para as reservas de petróleo da Venezuela, um país frequentemente usado como "espantalho" nas retóricas da extrema direita para instigar o medo do comunismo. Apesar de seus muitos problemas — desigualdade, crime e desemprego, males que se perpetuam em nosso modelo econômico atual — a Venezuela continua a ser vista sob a lente simplista do julgamento de "miss", uma distração para questões sociais profundas. Não pretendo aqui classificar seu regime, pois me falta o conhecimento histórico necessário. Mas reconheço que é um país, como tantos outros, que enfrenta as crises inerentes a um sistema global em que a cultura nos separa, enquanto o capitalismo nos une em fracassos incessantes: mais fome, mais dor, e uma concentração cada vez maior de riqueza nas mãos de poucos.

Cena 2: A Elasticidade do conceito Terrorismo como Ferramenta de agressão

Uma manobra perigosa, e possivelmente maliciosa, dos Estados Unidos, que há seis anos (BBC) vem tornando o conceito de terrorismo cada vez mais elástico. Esse termo, sem definição clara no direito internacional, não foi cunhado para uma batalha genuína contra o terror, mas sim para fornecer um salvo-conduto para ações hostis contra qualquer grupo que seja rotulado sob essa tutela. Da mesma forma que se pode rotular alguém de racista ou misógino para justificar um ataque verbal, a pecha de "terrorista" permite uma agressão total e sem questionamento. Este termo, com sua abrangência e o repúdio global que carrega, se torna a arma perfeita para justificar a violência. Um grupo que luta por liberdade pode ser visto como terrorista por quem detém o poder, mas como um movimento revolucionário por aqueles que lutam contra a opressão. Isso sempre abrirá precedentes para a agressão e será usado por quem empunha o cajado da força.

Cena 3: A Coerção Silenciosa na Costa Venezuelana

Donald Trump, em um movimento de guerra, posiciona navios para "policiar" águas internacionais na costa da Venezuela. Para os autointitulados "xerifes do mundo", isso não é uma declaração de guerra, mas apenas o uso da força para "garantir a liberdade" do mundo contra terroristas. O que seria apenas uma presença de coerção silenciosa, já um ultraje internacional, escalou quando Trump, como todo fascista, dobrou a aposta.

Cena 4: A Exposição de Força e a Morte da Verdade

O presidente publica fotos de sua esquadra, como um jovem que ostenta sua virilidade. Imediatamente após, um vídeo mostra um barco sendo alvo de um míssil e explodindo no mar. A justificativa: era uma embarcação de traficantes que ameaçava o mundo. Podemos realmente acreditar que um barco com 11 pessoas a bordo ameaçou um porta-aviões de guerra? Como ter certeza? Como saber se o ataque foi preciso? A verdade e nossas dúvidas explodiram junto com o barco.

Epílogo: A Cumplicidade do Silêncio

Onde estão a ONU, a OTAN? O silêncio é ensurdecedor. Um país explode uma embarcação e justifica a ação por si mesmo, sem consequências. É o mesmo raciocínio de atirar primeiro e perguntar depois. Essa lógica já justificou destruir um país para capturar um homem, outrora armado pelos EUA e tido como o autor do 11 de setembro. Ou o extermínio de uma etnia inteira por Israel, que ganhou o salvo-conduto de "luta antiterrorista" contra um grupo chamado Hamas. O salvo-conduto é sempre a arma de quem não quer falar, mas quer mostrar o tamanho de sua força para os demais.

Fim: ???

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