O movimento do produto.

Quando comecei a trabalhar, nos idos dos anos 80, tínhamos basicamente 3 elementos fixos (Cliente, fornecedor e produto), e sobre esses três, havia a propaganda, analisando o mercado, sendo mais passivo que ativo, absorvendo o momento e vendo os anseios, pra avisar ao fornecedor a fazer mudanças no seu produto para que ele fosse mais palatável ao desejo do cliente. "O Cliente sempre tem razão", esse pseudo protagonismo de quem compra, funciona como uma cortina de fumaça para esconder o real protagonista que era o produto, e seu mentor, o fornecedor enriquecia com ele.
O tempo passou e com isso vieram os bancos de dados, estruturas capazes de conter muito mais dados, e o mercado foi ficando cada vez mais previsível, junto com isso, a propaganda que antes era isolada e presa a cada produto, ainda que um ou outra inserção de produtos nas artes, mas a falta de conexão ainda, impossibilitada pela falta de tecnologia capaz de explicar exatamente os comportamentos, pega a antiga tríade (cliente, produto e fornecedor) e acrescenta o mercado. Agora havia mais e mais dados, o "cliente" era visto como parte de uma estrutura maior como o "consumidor" e esta fazia parte de um a outra estrutura, chamada mercado, com isso a propaganda e marketing, tem seu momento de ouro, onde a quantidade de dados permite o movimento em massa das linhas de produção, quem fazia isso antes, tinha mais chance de ser bem sucedido.
O novo protagonista o "consumidor" ganha em abstração permitindo que o varejo torne-se mais e mais poderoso... o protagonista subjetivo segue sendo o cliente, que agora se chama fornecedor, e ainda interfere nas linhas alterando a produção, mas com mais dados, o nível do que mudar fica mais sutil, gerando economia para o produtor.
Mais um hiato temporal onde parecia estar tudo igual e a rede social, e ferramentas de buscas começam a ter uma quantidade muito grande de dados sobre nossos hábitos, e ai vem a grande virada, sabendo como pensamos, nossos anseios, desejos, tudo sobre nos, e ai achávamos que as linhas de produção seriam ainda mais ágeis, mas ai houve um BOOOM, ao invés de procurar o que vender, agora a indústria simplesmente procura uma forma, uma mensagem de "como" vender, no fina você vai comprar se as coisas certas forem ditas. como sabem quem somos, como gostamos, o que fazemos, o vocabulário muda...
Agora sua subjetividade é o novo alvo da indústria. cuidado com o quanto as redes sabem de você, pois ela podem saber o suficiente para te enganar com mentiras, e desde fazer você comprar um iphone mais caro que seu carro, até fazer você eleger um presidente que você discorda, tudo é possível baseado em como te falar sobre o que lhe é oferecido... Dá medo em pensar qual o próximo passo !


