Inferência e preconceito

No caso do repórter que "confundiu" uma pessoa esperando uma condução, com um catador de bolinhas, seja pelo racismo estrutural, por ter sido embebido pela cultura, ou por ser racista mesmo, isso é um dos problemas a ser discutidos, mas o outro, é o ponto que a reportagem e o jornalismo de hoje, muito me preocupam.
Um repórter deveria ser alguém que, diante dos fatos, os narra, obviamente com o mínimo de isenção, já que isenção total é impossível para humanos pelo menos…
Todavia o jornalismo deixou de ser isso a muito tempo, passou a ser somente um desfile de carismas e opiniões anteriores, ou desconectadas dos fatos, ou ainda com equivalências desconexas…
Mesmo que o repórter citado, seja o maior racista do planeta, mesmo que ele fosse Hitler em pessoa, se simplesmente se mantivesse ligado aos "fatos", Seria mais improvável passar pelo constrangimento do julgamento de sua intenção subjetiva…
Bastaria a ele, perguntar o nome, perguntar o que faz, sem inferir nada; assim você consegue ficar menos sujeito a racismo estrutural, machismo estrutural, ou toda a cultura que pode te empurrar ao puro preconceito.
Fatos e falas narrativas, em geral, são muito mais próximos da isenção, do que inferências e previsões do que você não sabe…
No seu não saber, reside algo que preenche lacunas, e esse algo esta repleto de toda sorte de conhecimento do senso comum, de estruturalismos perigosos e ofensivos…

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