Bandido bom é bandido morto ?
Não tenho problemas com a população dizendo que bandido bom é bandido morto, não acho nada monstruoso, não acho nada inumano, ou que animais não fariam. Sim a preservação, força maior do ser humano, diz que se alguém está a te ameaçar, então elimine a ameaça da forma que for: mate, expulse de sua presença. Tudo isso é animal, é ancestral, é humano.
Sei que alguns casos o problema está mais enraizado, sei que alguns dilemas sociais injustos tocam uma melodia que as vezes é quase impossível de se resistir. A própria fala, “bandido bom é bandido morto”, mostra que para uma boa parte da população, com uma causa razoável, o crime compensa…
O ser humano não é bom, nem misericordioso, muito menos abnegado por definição. Podemos aprender isso e pôr nosso egoísmo de lado para ver o outro, mas isso não pode ser para sempre para a maioria das pessoas, e soa como uma mascara de aceitação mais que um desejo interno. Pensamos no outro quando o assunto é a nossa proteção, quando fazer o bem ao outro me faz bem eu faço… isso não é pessimismo, é puro exercício de pensamento livre, sem névoas religiosas ou quaisquer que sejam.
Sei que é difícil proteger o bandido quando ficamos sob a mira de armas, sei que dizer que o problema é social é quase impossível quando um ente querido tem a sua vida terminada. Sei de tudo isso… Da mesma forma que o sistema político esta falido há décadas. que para sobreviver você tem que ter dinheiro para pagar melhores médicos, se livrar de casos com a justiça pagando os melhores advogados… Tudo isso eu sei.
Entendo portanto, o discurso de bandido bom é bandido morto. Isso não me deixa sem a devida fé na humanidade. Tubarões fazem isso há milênios e seguem todos aí uma espécie que deu certo. As forças puras não vão nos exterminar tão pouco…
Agora o que eu não entendo, é o discurso de ódio contra os moradores da favela que filmaram policiais burlando a lei. O que não entendo é por de lado a frase do Oto… “o mineiro só é solidário no câncer”… Estão na mesma briga que nós, os bandidos são engrossados por policiais criminosos, eles estão se defendendo. Se a morte do menor parasse na morte, eu não poderia julgar de ante mão. Sei que eles são abusados, que riem, que dizem “vou sair rápido da cadeia e sua mãe sei onde mora…”, sei que policiais não são ricos e moram em comunidades tão pobres quanto as que patrulham, sei que esse tipo de risco os expõe a uma miríade de tentações de corrupção, não sou hipócrita sei disso…
Mas sei que a barreira inicial, a primeira barreira da dita justiça é exatamente o policial. Se este não segue a lei que jura defender, sei que ele não serve, deve responder como eu responderia e ser expulso das fileiras.
Quando tenho em casa uma aranha viúva negra que vai me picar, eu não compro um rato com leptospirose e em seguida um gato com raiva e um cao com zoonose para me defender, eu lido com a aranha, resolvo o problema da aranha e não crio o novo problema.
Independente do que resultou na morte do menino traficante no episódio em questão, sei que plantar uma arma não me aumenta a segurança, morreu um criminoso e nasceram nas minhas vistas 5 comparsas que fariam qualquer coisa pela “justiça” que se travestem de policiais, delegados, sistema carcerário e juízes. Não entendo, não quero e não compactuo com isso, marginais sejam fardados ou não, quero o mesmo tratamento, não importa o colarinho azul, branco ou negro…
O que você pensa sobre isso?
Escreva só para mim. Ninguém mais lê o que você disser — eu respondo em privado, e se a conversa me fizer pensar, ela pode virar um novo texto.